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The Monkees A idéia da nossa Associação surgiu nas férias escolares entre 1968 e 1969. Naquele ano eu havia conhecido a Marilene, que foi fazer o Curso Científico na mesma escola em que eu estudava. Foi o afeto pelos Monkees que nos uniu no início; depois descobrimos muitas outras coisas em comum e nos mantivemos unidas desde então (em maio de 2002 a Ma se mudou para o andar de cima, mas isso é mero detalhe para uma amizade que existirá para sempre). O propósito inicial da "Associação Nacional das Fãs do Conjunto The Monkees" era promover as músicas. Considerávamos injusto que músicas tão maravilhosas passassem despercebidas, enquanto a RCA Victor, responsável pela distribuição, não fazia nada a respeito. Achávamos que havia necessidade urgente de estabelecer contatos com outras fãs dos Monkees e organizar campanhas de divulgação. Não suspeitávamos então que haveria um resultado "secundário" àquelas atividades, o qual acabaria por se tornar muito mais importante do que tudo o mais: o cultivo de amizades verdadeiras, duradouras, que muitas vezes viriam fazer a diferença em situações difíceis das nossas vidas. No início de 1969 escrevemos para programas musicais de rádio e assim conseguimos reunir um certo número de "associadas". Modéstia à parte fizemos um trabalhinho bom, conseguindo (por exemplo) com que a música "Words" se tornasse uma das mais tocadas na época e que a série voltasse a ser apresentada. Depois, quando a série foi para o Canal 5, tivemos uma carta nossa lida pela Márcia Cardeal, apresentadora de um programa de grande audiência: a "Sessão Zás-Trás". Foi assim que o número de associadas aumentou bastante, e pudemos fazer muitas outras "campanhas". Nessa época a Marilene e eu chegamos à conclusão de que era necessário produzir um jornalzinho com notícias atualizadas sobre os Monkees. Então costumávamos ir à Rua Dom José de Barros, no centro de São Paulo, onde havia uma livraria Siciliano que disponibilizava todas as revistas possíveis e imagináveis, nacionais e estrangeiras, para os clientes folhearem antes de comprar. Com a cara de pau inocente que a nossa adolescência nos permitia ter, folheávamos todas as revistas americanas dedicadas ao show business. Nossos olhos treinados eram capazes de localizar as palavras "Monkees", "Davy", "Peter", "Micky" e "Mike" entre as milhares de palavras daquelas páginas, e separávamos as revistas que as continham. Demorávamos muito, mas nenhum vendedor jamais veio nos interromper. No final, comprávamos em sociedade as revistas que havíamos separado. Eram caríssimas, custavam o preço de livros, e não me lembro como conseguíamos fazer isso já que vivíamos permanentemente em contenção de despesas. Traduzidas as notícias, compúnhamos o jornalzinho (que chamávamos de "Circular") em um mimeógrafo a álcool e o enviávamos pelo correio. Tudo isso sem cobrar nada, porque achávamos que que seria anti-ético cobrar. Mais grave ainda seria obter lucro com tais atividades, porque isso significaria estar usando os Monkees para proveito pessoal. Impensável. A fim de ter acesso a notícias mais atualizadas escrevemos para uma daquelas revistas americanas solicitando correspondentes que fossem também fãs dos Monkees. Tivemos sorte: publicaram as nossas fotos e as nossas mensagens no mesmo número, e assim transformamos a "Associação Nacional" em "Associação Internacional". Enquanto isso as tarifas de correio iam subindo, subindo... inventamos de oferecer alguns produtos extras, ao preço menor possível, para financiar pelo menos as remessas. Mesmo porque a essas alturas já estávamos enviando uma versão em inglês das circulares às associadas americanas (incrível pretensão!). Então compusemos a "revista" Wool Hat e passamos a reproduzir as fotos que havíamos recebido da Screen Gems e da Columbia Pictures. Mas o dinheiro que obtivemos com isso foi desprezível, e não ajudou praticamente em nada a financiar as despesas postais. Quando chegou 1973 tanto eu como a Marilene tínhamos muitas outras preocupações na cabeça. Estávamos trabalhando em período integral e tentando estudar simultaneamente, e portanto quase sem tempo nenhum para dedicar à Associação. Além disso as notícias sobre os Monkees tornaram-se raríssimas nas revistas, e as nossas associadas americanas debandaram completamente. Quando enviamos a tradução de um artigo chamado "A blast from the past", que falava dos Monkees como um fato do passado, as maioria das nossas associadas brasileiras também debandou. Foi assim que a A.I.F.C.T.M. ficou em estado de hibernação até 1976, quando a Lucélia e a Lucinélia assumiram a presidência e reiniciaram os trabalhos, passando a seguir os encargos para a Inês e a Marilini. Então passamos a palavra à Maria Inês: A AIFCTM nos embalos dos anos 70/80
Quando eu (Inês) e a Mari (Marilini Martino) assumimos a AIFCTM em
1976 achamos que um bom meio de reativá-la seria colocando anúncios em revistas. E foi o que fizemos. O primeiro anúncio saiu na revista POP, depois saíram anúncios nas revistas Ilusão e Contigo. Achávamos que se umas vinte ou trinta pessoas
respondessem seria o máximo. Qual não foi nossa surpresa quando perto de 200 pessoas responderam ao anúncio. Por outro lado, o seriado passava de tempos em tempos na TV e também tivemos a sorte (e o prazer) de ver o HEAD nos cinemas de São Paulo. E além disso conseguimos reunir um grupo que se encontrava regularmente e nos tornamos grandes amigas. Deixo aqui o meu abraço e as minhas saudades (desculpem-me se eu esquecer alguém): Mari, Mara, Márcia, Marina, MJ, Lucélia, Lucinélia, Maria Regina, Ângela, Jurema, Danila, Cecília, Lina, Lea, Beny, Suzete e tantas outras que compartilharam conosco os nossos momentos de alto astral Monkee. ... E então, em 2003, o Peter resolveu vir passar uma semana de férias no Brasil!!! Já tínhamos (a Lucélia, a Maria Regina e eu) conversado várias vezes sobre a possibilidade de reativarmos a A.I.F.C.T.M., mas nos faltava o impulso disparador da ação, o empurrãozinho estratégico. Isso aconteceu quando percebemos, chocadas, que se não fosse o mero acaso teríamos perdido a notícia da vinda do Peter. Esse mero acaso foi a mensagem eletrônica de um amigo que eu não via há mais de vinte anos. Ele ouviu a notícia através da Rádio Kiss FM e por algum milagre não tinha esquecido a minha monkeemania! e por outro milagre estava de posse do meu email atualizado. Depois desse susto chegamos à conclusão de que não é admissivel ficar dependendo do acaso nem permanecer de braços cruzados enquanto os fãs brasileiros dos Monkees continuam desagregados, sem acesso a informações atualizadas, sujeitos a perder oportunidades preciosas como essas que foram os shows do Peter em São Paulo. Por esse motivo, cá estamos nós de novo! Back to the Monkee madness!! E com os mesmos propósitos iniciais: divulgar informações, promover "campanhas", estabelecer contatos, cultivar amizades. E agora que o Peter quebrou o tabu, tudo se tornou possível! Milênio novo, vida nova! |